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Notícias/Notícias25/09/2026· Local

Delegado alvo de operação se apresenta à Polícia Civil

O delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, alvo da Operação Infiltrados, que investiga um suposto esquema de desvio de drogas apreendidas por agentes públicos, se apresentou à Corregedoria da Polícia Civil, em Campo Grande.

A operação, deflagrada pelo Gaeco, cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul. Segundo as investigações, o grupo é suspeito de desviar e comercializar parte da cocaína apreendida em ocorrências policiais.

A defesa do delegado afirma que ele ficou surpreso com a investigação e que ainda buscava acesso integral aos autos.

As investigações continuam, e as acusações ainda serão analisadas pela Justiça.

Delegado Hoffman d’Ávila, quando ainda era titular da Denar. (Foto: Henrique Arakaki, Midiamax)

Investigação aponta que policiais monitoravam depósitos de cocaína para apreender e revender droga

Investigações que deram origem à Operação Infiltrados apontam que policiais civis, militares e penais estariam envolvidos em um esquema de desvio e posterior comercialização de cocaína em Mato Grosso do Sul.

De acordo com as informações divulgadas sobre a investigação, alguns dos servidores públicos teriam chegado a monitorar locais utilizados como depósitos de drogas com o objetivo de realizar apreensões e, posteriormente, repassar os entorpecentes para traficantes.

As apurações também indicam que integrantes do grupo utilizavam sistemas oficiais de segurança para consultar veículos de interesse dos traficantes. Segundo a investigação, rastreadores, conhecidos como “carrapatos”, também teriam sido instalados em alguns veículos.

Investigação começou a partir de operações anteriores

O caso teria sido descoberto a partir de elementos reunidos durante as operações Blindspot e Traquetos. Uma das linhas investigativas envolve uma apreensão de aproximadamente 326 quilos de cocaína, realizada em dezembro de 2022.

Segundo os investigadores, parte dos policiais responsáveis pela ocorrência teria recebido a droga na Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar). A apuração passou a verificar posteriormente se o entorpecente teria sido negociado ou desviado.

Outro episódio investigado teria ocorrido em novembro de 2022, quando cerca de 30 quilos de cocaína foram apreendidos. A suspeita é de que policiais teriam tentado negociar a droga antes mesmo de sua apresentação formal na delegacia.

Depósito teria sido monitorado em 2025

Entre maio e junho de 2025, a investigação aponta que um policial penal, acompanhado de um homem investigado por tráfico e de dois policiais militares, teria monitorado um depósito de drogas em Campo Grande.

A suspeita é de que o grupo pretendia apreender os entorpecentes armazenados no local para, posteriormente, revendê-los.

As investigações também apontam que informações obtidas por meio de sistemas oficiais teriam sido repassadas a integrantes do tráfico.

Operação Infiltrados

A Operação Infiltrados foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), em conjunto com as corregedorias das forças de segurança.

Foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos. Entre os alvos estão policiais civis, policiais militares, policial penal, ex-policial civil e outras pessoas apontadas como integrantes ou relacionadas ao grupo investigado.

As investigações tiveram início em outubro de 2025 e, segundo os órgãos responsáveis, buscam esclarecer a atuação de servidores públicos em um possível esquema de desvio de drogas apreendidas em ocorrências policiais.

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública informou que os servidores envolvidos já eram investigados pelas respectivas corregedorias e afirmou que não compactua com desvios de conduta ou práticas ilícitas. A pasta também destacou que os fatos serão apurados respeitando o devido processo legal e as garantias individuais dos investigados.

Com informações do Midiamax. Fotos: Henrique Arakaki e Leo de França.